terça-feira, 27 de abril de 2010

Traços.

Uma folha em branco e uma caneta.
É tudo o que eu preciso para mudar todas as coisas ao meu redor.
Tá duvidando?
Eu posso criar o meu cenário preferido, o meu personagem mais exótico e minha canção mais melancólica. Já posso ouvi-la vindo lá do fundo.
E olha quem está vindo também. Vestida de calcinha e sutiã, descalça, com um cigarro na mão, um copo quase vazio de whisky e um cabelo mal preso.
Como é instigante os fios que caem sobre seu rosto!
Uma pausa. Um gole. Um trago.
Próxima da janela, olha o movimento da rua e solta uma gargalhada enérgica, diz ao nada: "Como o mundo é escroto".
Deita-se no chão, deixa cair o copo que derrama o gelo derretido que restava.
Dá o último trago, olha para o lado e uma lágrima corre pela lateral do seu rosto.
Ao seu lado, o remédio para sua dor. Ela engatilha o revolver, o aponta para a cabeça.
Adeus.


p.s.: não houve tempo hábil para dar um nome à ela.

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